
"Krishna costumava tocar sua flauta na floresta. Quando a ouviam, todas as moças de Braj saíam e o procuravam; mas não conseguiam encontrá-lo, e tinham de esperá-lo até o entardecer, quando ele voltava. Então elas se sentavam juntas no caminho e falavam sobre a flauta. Uma dizia: 'Veja como esse tubo de bambu é honrado; bebendo o néctar dos lábios de Krishna o dia todo, ressoa como uma nuvem e derrama encanto. Por que ela é mais amada que nós? Essa coisa feita bem diante de nossos olhos tornou-se igual a uma esposa rival. Até mesmo os deuses ficam atentos quando Krishna toca sua flauta. Que disciplina ela cumpriu para fazer com que todas as coisas a obedeçam?' Outra gopi (pastora) replicou: 'Primeiro, quando ela cresceu na haste do bambu, lembrou-se de Hari (O Senhor da Natureza, outro nome pelo qual Krishna é conhecido); depois ela suportou calor, frio e água; por fim, cortada em pedaços, respirou a fumaça de sua própia combustão. Alguém mais cumpre tais mortificações? A flauta é perfeita em sua origem e recebe a recompensa que lhe é dada.' "
Trecho extraído do livro 'Mitos Hindus e Budistas', por Ananda K. Coomaraswamy e Irmã Nivedita.
"Ao Sábio, todos os seres são iguais."
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